Hoje: Pré-estreia de “Doc. Cine Campinho – da Terra à Tela”

Por Escobar Franelas

Tudo começou em conversas informais com o Pedrinho, quando trabalhávamos juntos no Programa Jovens Urbanos como educadores. Ele, sabendo que trazia na bagagem alguma experiência audiovisual, repetiu várias vezes: “Escobar, você precisa contar a história do Cine Campinho!”

Eu já sabia um pouco desse enredo, tinha lido e visto reportagens falando do projeto que ele, o Renildo, o Ivan, a Mariquinha e outros tinha começado por volta de 2007, lá no Jd. Bandeirantes, pras bandas do Lajeado, em Guaianases. E o que eu não sabia, ele foi descrevendo, das primeiras sessões de cine-debate na associação da vila, do desejo de transformação social do lugar, da limpeza do campinho para a prática do futebolzinho que tanto amamos, da ampliação do campinho para a projeção de filmes e da transformação do campinho em espaço de convivência.

Eu tinha finalizado um curso de produção de vídeo e chamei um bróder que estudara comigo e já tinha feito uns trampos em parceria, o Maty. De cara, rolou ema empatia geral e a conversa fluiu. O Maty trouxe o Jonas, outro parceiro dos tempos de curso. O Pedrinho nos apresentou a um monte de gente legal, conhecemos a Grazi, a Deh, o Lico, a Edih, o Ivan, a Mariana, o Ângelo. Criamos o coletivo Lentes Periféricas, escrevemos o projeto, nos candidatamos ao edital VAI-2014 (Prefeitura de SP) e fomos aprovados.

Pronto!

Nesse ínterim, já tínhamos reescrito o roteiro do filme trocentas vezes. Com a grana na mão, não tínhamos o que esperar, era iniciar o trabalho. O povo do Cine Campinho já vivia na brodagem total com a gente, trocando energias e sabedorias. O povo do Rua de Fazer, idem. Com tanta gente esperta e devotada ao bem social, não tinha como dar errado. Deu tudo certo! Está dando tudo certo!

Foram seis meses de entrevistas com pensadores, fazedores, gente que produziu o Cine Campinho nesses anos todos, gente que assistiu filmes durante todo esse tempo, gente que se apropriou da ideia e de público tornou-se parceiro, como o André (que depois virou ator, quem diria?!). Aliás, o André, virou ator/um m onte de coisa, porque em algum momento alguém teve a ideia de fazermos microoficinas de audiovisual com o pessoal da comunidade. Outra mão batida no truco da vida, pois uma molecada curiosa e inteligente chegou, e produziu uns curtas bem bacanudos, com um pouco de orientação nossa que – admito a verdade – mais aprendemos que ensinamos pra eles.

Hoje, 29 de novembro, celebramos o filme pronto. A pré-estreia do “Doc. Cine Campinho – da terra à tela” é um acontecimento sui generis. Trabalhar com um grupo pequeno, com pouca grana, produzir um filme que não seja chapa-branca sobre um projeto no qual acreditamos, e imaginar como será o pessoal se vendo na tela durante a projeção, é algo que me deixa curiosíssimo.

Bora lá invadir as quebradas de Guaianases pra se confratenizar com o povo do Jd. Bandeirantes?

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